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ELTON MELLO ESTEVAM analisa obra literária de Victorio Codo

Breve análise da obra

“Da Montanha ao Pantanal”

Elton Mello Estevam (*)


De leitura suave e instigante, o livro de Victorio Codo evita cantilenas obsoletas e digressões inoportunas, transportando o leitor a uma atmosfera de intimidade com o autor, mesmo aqueles que não o conhecem. Além do mais, são verdadeiras aulas de geografia, biologia, cultura geral e, por que não, filosofia. Sim, a obra apresenta-se indiretamente filosófica no sentido de que instiga o leitor a uma reflexão sobre a sua condição e a dos demais ditos civilizados. Com efeito, a agradável leitura de mais essa bela produção literária, enveredando-se pela cultura indígena e cabocla, nos convida a refletir sobre os nossos próprios hábitos e costumes que, vistos sob a ótica do controle social, ilusoriamente nos afiguram os únicos possíveis.

No tocante à estrutura da obra, percebe-se que é produto de um escritor experiente e arguto, de espírito vivo, engenhoso, talentoso, perspicaz, sutil, que não se contenta com a simples narrativa do fato. Procura, antes, explicar as causas dos fenômenos relatados, sem, contudo, cair na amargura tediosa que abarcam muitas pesquisas que se tornam extensas demais. Destarte, o autor é breve e agradável nas suas explicações científicas e/ou históricas, enriquecendo ainda mais a obra, que transcende à narrativa casual. Parece-me, outrossim, que ele assimilou bem a lição de Graciliano Ramos: “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer”.

Os fatos relatados são de singular curiosidade. Curiosidade esta que prende o leitor do início ao fim do livro, em um original e real suspense que não o permite levantar para ir pegar um copo d’água, sem antes completar a leitura do capítulo! De resto, com o término da leitura de “Da Montanha ao Pantanal” fica aquele gostinho na alma satisfeita, que só irá se dissipar ao sabor do vento e das horas...


(*) ELTON MELLO ESTEVAM é ubaense, 19 anos, universitário. É autor de Don Juan e o oráculo de Zeus, obra de ficção mitológica, realismo fantástico, em prosa, com comentário de Marum Alexander e Cláudio Estevam. Em Antologia, seu segundo livro, também edição do autor, Elton brinda o leitor com seus contos e textos filosóficos, que induzem a reflexão sobre o tema Ideologia. O jovem escritor tem diversos trabalhos, em prosa e em verso, publicados na internet e em periódicos locais. Interrompeu a produção do seu terceiro livro, Guia Pessoal Conhecimento do Mundo. Sobre Deus e o Diabo (teatro), que seria o quarto livro do autor, encontra-se em preparação.
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O texto acima foi lido na sessão solene da Aule de 01/12/2006, de lançamento do outro livro de Victorio Codo: A Odisséia da Família Napolitani Codo. O intérprete foi o talentoso garoto, estudante Francisco Brandão Teixeira do Rego.


sexta-feira, 4 de junho de 2010

MANOEL BRANDÃO NO GAZETA REGJORNAL - PARA QUEM NÃO LEU...

LEMBRANDO QUE NO DIA 02 DE JUNHO MANOEL TERIA COMPLETADO 68 ANOS...

É SÓ ACESSAR O LINK :

http://www.gazetaregjornal.com.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=265:luto-na-academia-ubaense-de-letras&catid=34:cidade&Itemid=54

quinta-feira, 3 de junho de 2010

ACADÊMICO ANTONIO QUEIROZ - DISCURSO DA POSSE NA AULE

Discurso de Posse

A palavra que melhor define a minha fala nesta noite é “agradecimento”. Agradecer hoje a noite é o meu dever de ofício, dever de acadêmico, dever de cidadão,

Alguns povos, principalmente os Africanos, quando iam fazer ou assumir algo muito importante, recorriam às suas divindades e antepassados. É por isso que neste momento, faço meu primeiro agradecimento e peço ajuda ao onipotente criador, o Deus supremo autor da vida. Agradeço também a todos os entes queridos que já estejam no plano eterno da vida, especialmente meu pai, grande incentivador.

Senhores é grande a alegria que me reveste neste momento ímpar. Obrigado, de coração, a todos os que aqui vieram, aos meus familiares, meus amados filhos, razões de todas as razões da minha vida, ao Adjalma, figura importante nesta minha trajetória, aos inúmeros amigos que de certa forma fizeram parte desta história, em especial ao Norton e ao Paulino Caiaffa por ter me socorrido num dos momentos difíceis, a Sandra companheira nos momentos difíceis, aos meus professores, à professora Luciana, ao Ivan, ao Ângelo Gabriel, à gráfica Imprime e à Gráfica Suprema. Um agradecimento especial ao Hospital Santa Isabel, na pessoa do seu diretor Fabiano dos Santos e da Administradora e Vereadora Sra. Rosangela Alfenas pelo apoio recebido, ao meu amigo Bráulio, que me homenageou com esta brilhante interpretação. Ao parceiro Hésio, pelas suas belas palavras. Também agradeço a todos os membros desta Academia, especialmente o seu Presidente, acadêmico e Maestro Marum Alexander, que indicou-me para esta agremiação.

Quando vejo a minha primeira professora, irmã e madrinha Maria, que me alfabetizou na Escola Municipal Laurindo Moreira, na Parada Moreira, me ensinando muito mais que ler, escrever e fazer contas. Ensinou-me a fazer a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores. Prof. Dona Elazir Carrara, professora do curso de admissão, que estão presentes nesta noite. Com esses nomes faço representar os demais professores que tive e que por diversas razões não puderam estar presentes, meus sinceros agradecimentos.

Desta forma, sinto a forte lembrança do início de tudo, a origem, a motivação que me fez chegar até este importante momento, com toda certeza, deveu-se aos Professores e Professoras. Mas tudo isso, ainda seria pouco, se não tivesse a base sólida da família e dos amigos donde tirei forças para continuar nos momentos de dificuldade e com quem compartilhei as vitórias.

Família simples, todavia, as lições de vida, de coragem, o exemplo dado por meus pais, são os norteadores da ética como um todo. Seus conselhos ainda ecoam: ser honesto, trabalhador, humilde e procurar “ser gente”. Papai, mamãe, é uma felicidade tê-los como pais. De simples comerciante na Parada Moreira essa foi a trajetória do Senhor Tão Queiroz, meu pai que ao lado de sua companheira incansável D. Neném, minha mãe constituiu a família, da qual sou o quinto de cinco filhos.

Vencedores, os dois nos contagiaram com sua vontade e determinação.
Além da bela família que tenho, tive a sorte de contar com a amizade de um grande homem, cuja influência sobre mim foi das mais positivas. Rosalvo Braga, mas do que um amigo, um sexto irmão.

É essa rede de sentimentos e ações que faz com que nossos objetivos sejam alcançados e o universo conspire a nosso favor. Nunca imaginei que esse longo caminho me levasse a ocupar tão importante posição, do qual muito me orgulho. “Membro da Academia Ubaense de Letras”. Fundada em 29 de Julho de 1983 pela saudosa professora Maria Clotilde Baptista Vieira. Entre os intelectuais presentes na ocasião, estava minha querida tia e poeta Guiomar de Queiroz Pereira que mais tarde ocuparia a cadeira nº. 04. Oriundo que fui de escola pública, nunca encontrei estradas largas e pavimentadas, mas aprendi a abrir caminhos e seguir em frente e com essa persistência tenaz, chegar a tal momento.
É praxe que cada acadêmico ao tomar posse, recorde seu antecessor, portanto, a cadeira que passarei a ocupar a partir de então quis o destino que fosse a de nº.18, que foi ocupada pelo acadêmico Rosalvo Braga Soares tendo como patrono seu avô Paulino Soares. Nascido em Ubá. Jornalista, caricaturista e poeta, deixou vasta obra esparsa. Fundador, redator, desenhista dos jornais: O Cinzel, Sileno e O Orvalho.

Meu antecessor, Rosalvo Braga...

Impecável exemplo de cidadão atuou como educador, bancário, escritor, pesquisador, historiador, poeta, articulista, copydesker, ghost writer, autor de diversas obras, escreveu peças de teatro, roteiros de espetáculos musicais, crítico literário, grande admirador da cultura popular, escreveu sambas enredo, jingles e trilhas sonoras para teatros, seu talento lhe rendeu o titulo de Cidadão Honorário de congonhas em 1977, assim como a Comenda Ary barroso em 1999, seguida da Comenda Ferolla Durso em 2000 em Ubá. Faleceu em setembro de 2009 deixando um conjunto de obras, além de duas inacabadas, que retrata parte da história de Congonhas, e outra que retrata a história do Cárcere Clube de Ubá. Recentemente no dia 12/05/2010 a Escola estadual Michael Pereira de Souza em Congonhas prestou-lhe uma homenagem com um trabalho totalmente dirigido à sua trajetória cultural. Também em Congonhas O Festival Cultural de Inverno terá o nome de Rosalvo Braga, A Praça da Romaria (importante Centro Cultural em Congonhas e patrimônio histórico da referida cidade, já tem o nome de Rosalvo Braga com a aprovação unânime de membros políticos e culturais. “Um certo Antônio” não é somente uma biografia, é um poema de bom mineiro e um texto histórico. Rosalvo sempre preservou a capacidade de enxergar o futuro oferecendo sua plena capacidade profissional e intelectual aos serviços educacionais e aos amigos. É dessas pessoas que cruzam nosso caminho para acrescentar, iluminar. Passamos juntos bons momentos da minha vida, quer nos campos de futebol defendendo as cores do time do Santo Antônio, ou dividindo mais tarde um apartamento em Belo Horizonte, junto aos amigos Paulininho e Antonio Carlos Campolina. Este filho do Professor José Dias Campolina que também foi membro da Academia Ubaense de Letras ocupando a cadeira nº 24. É desta época que guardo as mais ternas lembranças do amigo Rosalvo Braga.

Para finalizar, peço permissão para ler uma citação de Charles Chaplin:

JÁ FIZ COISAS POR IMPULSO
JÁ ME DECEPCIONEI COM PESSOAS,
QUANDO NUNCA PENSEI ME DECEPCIONAR,
MAS TAMBÉM DECEPCIONEI ALGUÉM.

TIVE MEDO DE PERDER ALGUÉM ESPECIAL (E ACABEI PERDENDO)
MAS SOBREVIVI
E AINDA VIVO
NÃO PASSO PELA VIDA...
E VOCÊ TAMBÉM NÃO DEVERIA PASSAR.
VIVA!

BOM MESMO É IR A LUTA COM DETERMINAÇÃO,
ABRAÇAR A VIDA E VIVER COM PAIXÃO,
PERDER COM CLASSE E VENCER COM OUSADIA,
PORQUE O MUNDO PERTENCE A QUEM SE ATREVE
“ E A VIDA É MUITO PARA SER INSIGNIFICANTE”

OBRIGADO

ESTEVAM - POSSE NA AULE EM 2005

A C A D E M I A U B A E N S E D E L E T R A S
Sábado - 26NOV2005 – 17 h
Salão de Eventos da Sociedade dos Viajantes
Av. Cristiano Rôças, 240 - térreo - Ubá-MG

Sessão Solene e Lítero-Musical de posse aos seus neo-acadêmicos:
José Altivo Brandão Teixeira, Ary Rosignoli, Rosa Serrano, Aparecida Camiloto, Antonio Carlos Estevam, Milton d’Avila, Namir Emygdio, Célia e Celma Mazzei, Prof. Joaquim Carlos, Dimas Dario Guedes, Ruy Andrade, Miguel Gasparoni, Marcirni Moura e Cláudia Condé.

Breve pronunciamento* do neo-acadêmico
ANTONIO CARLOS ESTEVAM
Sucedendo o escritor Sílvio Braga,
na Cadeira n. 21 - patrono: Jornalista Otávio Braga

* O pronunciamento ficou para a reunião da Academia, sendo utilizados apenas 5 minutos para um breve resumo dele, na Sessão Solene

Ilustre professor Antonio Olinto, da Academia Brasileira de Letras, nosso patrono; nobre diretoria; acadêmicos e neo-acadêmicos, autoridades presentes, imprensa, distinta platéia.
Agradeço a Deus e àqueles que viram em mim mérito para esta honrosa diplomação. O sentimento que ora me invade a alma é de raro contentamento. Entre os que se sentem iguais, aí brota a alegria. São fontes perenes de alegria pura o bem realizado e o dever cumprido. A vida revela-se ao mundo como alegria que há no jogo dos matizes, na música das vozes, na dança dos movimentos. Quem nunca viu a tristeza não reconhecerá a alegria. Devemos acender vela sim, mas não amaldiçoar a escuridão. E alegria compartilhada é dupla felicidade. A alegria vem da paz que é conseqüente da vitória, que por sua vez exige contínua luta. A alegria não está nas coisas, senão em nós.
O jornalista Otávio Braga, brilhantemente escolhido para meu patrono, o que muito me honra, deixou vasta obra poética inédita, além de publicar dois livros, inclusive novela. Nascido em 1917, morreu vítima de tuberculose aos 32 anos. Estudou no Colégio Raul Soares. Trabalhava no Banco de Crédito Real. Do livro Antologia Literária Ubaense, lançado por esta Academia em 1986, destaquei, dentre as várias poesias assinadas por Otávio Braga, o soneto intitulado Solidão. A mensagem contrasta com a minha reflexão acabada de fazer sobre Alegria. Vejamos:
“Oh, ter que reprimir, sufocar o desejo / de viver, e domar do instinto a força imensa; / saber que existe a luz – e estar na treva densa; / ver morrer de esperança o último lampejo... // Curtir angústia e tédio a alma que vibra e pensa; perder, em luta inglória, o derradeiro ensejo / de ser feliz; tombar de um majestoso adejo / que era sonho, era vida, era amor, era crença... // E ter que prosseguir: rastejar, carregando / essa cruz de martírio até onde, até quando, / se em redor só tenho escuridão e pó? // Oh, deixem-me clamar a minha desventura! / Ouçam-me, por favor, sem riso, sem censura: / - Saibam que eu estou só, amargamente Só!”
Por último, vou falar rapidamente do escritor Sílvio Braga, a quem tenho a honra de suceder na cadeira n. 21 desta Academia. Um caso raríssimo: Sílvio Braga, que faleceu em 5 de agosto de 2003 aos noventa anos, não dependeu de freqüentar escola além do quarto ano primário para se tornar um professor respeitado e um escritor profissional. Com ele tive a honra de manter estreitíssimo laço de amizade, precisamente nos seus últimos cinco anos. O tempo aqui não me permite nem mesmo um breve resumo da vida de Sílvio Braga. Por isso, vou encerrar a minha fala com a leitura de dois textos: o primeiro, que publiquei no jornal Tribuna Regional quando conheci Sílvio Braga em 1998; o segundo, publicado no jornal O Noticiário, foi a homenagem post morten prestada por outro grande escritor, Rosalvo Braga ao seu tio Sílvio.
Passo à leitura do primeiro texto, de minha modesta autoria.

UM DIA DE GRAÇA
Antonio Carlos Estevam


Assim foi, para mim, aquela inesquecível terça-feira de céu infinitamente azul. Coincidência ou não, eu, que nunca fui, como não sou, apologista da astrologia, já lera no jornal, bem cedinho - por acaso, creiam - no meu horóscopo do dia (18/8/98), algo que sinalizava com a grata surpresa.
Ainda suado da caminhada que regularmente faço pela manhã, percebi, de longe, enquanto subia a minha rua bem inclinada, a presença de um octogenário, ainda mais franzino que eu, a gesticular, deixando um recado com a nossa secretária do lar: "... diga ao patrão que o Sílvio esteve aqui...".
A imagem, que eu gravara na mente, da fotografia do autor de "Quando as Nuvens Passam..." (romance de quase 400 páginas, produção literária independente e de elevado padrão internacional), o retrato dele que o livro traz logo na terceira das 96 páginas que eu já lera, assegurou-me, sem dificuldade, que era exatamente aquela pessoa que agora eu tinha bem à minha frente, desta feita em carne e osso.
Aí, eu que continuo a julgar-me indigno duma amizade tão especial, ainda que viesse a obtê-la por iniciativa minha, dava agora com a confirmação de que fora ele mesmo, o meu mais novo Amigo, quem me remetera aquele áureo presente juntamente com "Um Rosto de Luz", este de 630 páginas, ambos impressos pela editora O Lutador.
Como já o imaginara uma pessoa de hábitos simples, não me surpreendi ao dar com um ser humano de uma beleza interior raríssima: uma pessoa dócil, emotiva, despida de um pedantismo que não julgo ser raro nos profissionais do gênero.
Foi aí que lembrei-me de quando, lá no verdor das minhas 16 primaveras, chateado com a atitude de alguns dos meus sete irmãos, ainda mais jovens que eu, que sem motivo válido tendiam a abandonar a escola, cunhei - de maneira bem visível, no desgastado reboco exposto da parede, bem na entrada da pequena sala do barraco que nós dez habitávamos (meus pais, com oito filhos) -, pela primeira vez, um pensamento próprio. Lembro-me bem de que a expressão, colocada entre aspas e seguida da minha rubrica entre parênteses, dizia: "A educação só é autêntica quando torna o homem mais humilde".
Tinha, agora, trinta e um anos depois, a mais autêntica confirmação jamais vista, daquilo de que, quando concluí o curso ginasial, nos idos de 1967, já me dera conta.
Resta-me - pensei - e sinto que estou consciente disso, a responsabilidade de provar, para mim mesmo, que os meus 47 anos já vividos não o foram em vão. Mas como? Conduzindo-me, na vida, de modo a fazer jus a esta benesse com que o Criador me presenteou: a amizade de uma figura divinal - O ESCRITOR SÍLVIO BRAGA. UBÁ-MG, AGO/98

Agora, permita-me o escritor Rosalvo Braga proceder a leitura do texto de sua autoria:

Noventa anos de azul nos olhos de um homem de bem
Rosalvo Braga (*)


Pelo final dos anos 20, começo dos 30, circulou no Córrego dos Braguinhas um jornal chamado Folha Rural. O redator, rapazinho magrelo, acaba de ser o mais peralta aluno do Grupo Escolar “Cel. Camilo Soares” e já se introduzia no mundo adulto, fazendo-se figura profundamente humana, alma encharcada de sensibilidade que botava para boiar um par de olhos de límpido azul.
A tiragem do jornal se constituía de um exemplar, único. De grafismo impecável e variado, o comunicador dava leiautes diferentes às matérias, singularizando o aspecto de cada seção. Já que jornal carece de leitor, o pai da obra corria os arredores, casa por casa, nelas ficando o tempo necessário para o mais sabido da família saborear a leitura em voz alta, modo de repartir as notícias, o pão da convivência.
Nestes agoras, em que o mundo se converte na proclamada aldeia global de Mc Luhan, inimaginável a atividade um tanto medieval daquele rapazola que haveria de ser essa entidade chamada Sílvio Braga.
Homem de nunca se preocupar com a cultura balofa dos pernósticos ou com a erudição instrumental dos mercenários, Sílvio foi filtrando pelo azul dos olhos o que clamavam a brandura da alma receptiva, o desassossego do espírito indagador.
Na escolaridade, ensinamentos das professoras Ivone de Luca, Áurea de Azevedo, Alaíde Pimenta, Emília Trevizano. A partir daí, autodidatismo de garimpeiro do saber. Cada novo conhecimento – ah, meu Deus! – cada instrução adquirida leva-o à contemplação do Poder Maior.
Em Sílvio isto é notório: criatura reverenciando o Criador. Não se procure nele o praticante de uma religião definida, porque o que se há de encontrar é a efervescência de um sentimento além, mais alto, mais etéreo, sempre em direção ao supremo alvo: a religiosidade pura, sem os atavios das manifestações catalogadas.
Peregrinando pelos terrenos da imaginação, essa santa figura de Deus acabou se metendo em vestes de demiurgo. É isto: na cadência do dia-a-dia, Sílvio cria seu mundo, enreda pessoas e distribui papéis para o teatro de desbragada fantasia.
Espontâneo, fluído, prodigioso na tessitura de seu cosmo, ele graceja como se, de pessoas reais, desentocasse uma fieira de personagens, verdadeiro pandemônio para quem não está habituado a disparates.
- Cristina, prometida há dezoito mil anos!
Que isso significa, meu Deus? Sabe ele, somente. Se souber. Ele dá apelidos, ele atribui funções, ele articula relações, ele é o elo achado na corrente de perdidos devaneios, polimento no nudismo da criação. E é por ela, e é para ela que ele se dirige, solene candeeiro de sua própria carga.
Não por menos, é romancista. “Quando as nuvens passam...” publicado; outros, em andamento, dão substância fática aos ares das possibilidades.
Há doze anos resplandeceu “Um Rosto de Luz”. Livro. Melhor: enciclopédia. A respeito, palavras do Dr. Ary Gonçalves: “Uma variedade de ensaios que vão desde a medicina até a lingüística, revelando o saber e a cultura do autor. Seu magnífico livro foi um marco significativo na literatura de nossa terra e o considero o mais importante entre os cinqüenta que a Academia divulgou”.
Nunca deixou de escrever e, por escrever, nunca deixou de estudar. Áreas do delicado percurso – como a estilística, de que se fez teórico e praticante – são objeto desse estudioso senhor. Senhor? Quem se aproxima dele o trata assim. Pela idade, reverência, mas, ó incoerência, se na intimidade ele é o mais moleque da roda.
Sílvio é exemplo – e esperança – de que a juventude pode ser alcançada não apenas com a primeira chuva dos anos, mas também ao longo de bátegas de décadas. Adolescente, achaques lhe negavam normal desenvolvimento; só à distância do começo convencional teve atividade regular. Varou, no entanto, os anos de trabalho para chegar inteirinho à aposentadoria. E alguns deu ainda de lambujem.
Saúde à exuberância, com o seu Atlético seguiu por longínquos estados, até países; com o seu Bonsucesso, tanto seguiu quanto conduziu. Há não se sabe quanto tempo, andarilho contumaz de quilômetros e quilômetros todo dia, alheio ao modismo que empurra sedentários cidadãos para as caminhadas: precursor na prática, alegria de cobrir o chão de Ubá, de Belo Horizonte, surdo aos reclames dos produtos esportivos, de costas para a batuta de cardiologistas – ele, tão por si a empunhar a bandeira de seu exato gosto.
Conviver com Sílvio é uma experiência espetacular. Sílvio tem qualquer coisa em si como se, à vizinhança de sua aura, a própria aura se converte em tocada lâmpada de Aladim ou, mais à magia destes tempos, miraculosa tecla destinada a satisfazer desejos. Para tantos e tamanhos cuidados, eis Sílvio Braga.
No trato com a família, a estupefação de quatro gerações dos Bragas, fascinadas em torno de um coração manso, inteligência cintilante, alma generosa, espírito pândego – figura inapreensível. Homero Braga está certo: ele é o Notável.
Tímido, com alma girândola, intui Deus, bebe cachaça, escreve tratados, sublima o esporte, se compraz na fala de gente simples. E alto, sempre alto, invariavelmente de braços erguidos a catar e a cantar o grandioso dos atos na confraria dos irmãos.
Sílvio, essa explosão de valores, esplêndida festa do Gênero Humano. Este homem, meio anjo, meio moleque, é alguma coisa que a gente gosta de ter às mãos e que, por motivo que ele bem compreende, se escapa das nossas amorosas mãos feito cantante de água de bica.
Ele é um pedaço do mundo bom. Na quietude de seus olhos, meu amado tio Sílvio, como o azul fica bonito.
Sílvio Braga
(01.03.1913 – 05.08.2003)
• Rosalvo Braga Soares é escritor, crítico literário e prof. universitário, ubaense residente em B.H.

Caro Mestre e Nobre Acadêmico,
mesmo tendo sido extemporâneo, fiquei sabendo, mas não pude comparecer.
Agradeço pela lembrança do convite e parabenizo-lhe pela horaria.
"Encontra o sucesso quem acredita nos seus sonhos
e se empenha para transformá-los em realidade."
Autor desconhecido
Abraços
Chopin

----- Original Message -----
From: ANTONIO CARLOS ESTEVAM
To: apcef
Sent: Saturday, November 26, 2005 8:04 AM
Subject: Enviando email: AULAC convite

Não repare a intempestividade da mensagem. É que eu estava viajando.
HOJE É O DIA DA POSSE DOS NOVOS MEMBROS DA
ACADEMIA UBAENSE DE LETRAS,
ORA VOLTANDO A FUNCIONAR, SOB NOVA DIREÇÃO.
CONFIRA AÍ O CONVITE E VEJA O MEU NOME NA RELAÇÃO DOS NEO-ACADÊMICOS.

QUE HONRA!!!
Suponho que será uma bela cerimônia.
Haverá coquetel, que já está pago, acesso franqueado a quem estiver presente.
Não tem convitinho pAra entregar na porta, você chega e entra.

Estevam,
Parabéns pela posse...
Se tivesse chegado mais cedo, quem sabe não teria mandado uma representante...
Brincadeira a parte, mas é que minha gatinha, a Liliane, que faz Ciências Biológicas, estava aí em Minas, mais precisamente em Caxambú, participando de um congresso.
Um abraço
Sílvio Dantas – Recife, 27/11/2005

Meu caro Estevam,

Não é surpresa para mim a distinção que estão fazendo a você, sempre produtivo e engajado no processo social onde convive e, também, sempre competente!

PARABÉNS!
Paulo Roberto de Aguiar – Salvador, 28/11/2005

Parabéns Antônio Carlos Estevam 2005-12-02 13:20:13 Sandra Freitas

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28 leituras

Parabéns
Antônio Carlos Estevam

Hoje, sexta-feira, dia 25 de novembro de 2005, no salão de eventos da sociedade dos viajantes, lá em Ubá, no centro da Zona da Mata Mineira, o escritor Antonio Olinto, da Academia Brasileira de Letras, falará sobre sua experiência como adido cultural do Brasil em Lagos, na Nigéria e, sobre a influência da cultura negra em sua obra, em palestra comemorativa ao dia municipal da consciência Racial.

Também acontecerá a posse na Academia Ubaense de Letras – Casa de Antonio Olinto, do nosso amigo escritor Antônio Carlos Estevam que publica entre nós no Planeta Literatura – www.planetaliteratura.net .

Nós do Planeta Literatura
deixamos aqui os nossos
PARABÉNS
ao amigo
Antônio Carlos Estevam
por mais esta vitória
e reconhecimento de seu trabalho.

Sandra Freitas.

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Parabéns aqui da terra da garôa. Grande abraço

Clésio Boeira da Silva - 2005-12-02 13:39:54
Parabéns, irmão!
Um abraço do tamanho aqui do Rio Grande do Sul!
Abs
Clésio

ACADÊMICA MIUCHA TRAJANO - DISCURSO DE POSSE NA AULE - BREVE RESUMO

Estevam, minha fala foi pequena e nela constou:

"Quero agradecer a todos os acadêmicos que acataram meu nome como membro intregrante desta Casa. Em particular agradeço ao meu amigo/irmão Hezinho Andrade e ao meu amigo/professor e condutor de minha carreira musical o Maestro Marum Alexander.
Minha responsabilidade ao tomar assento na cadeira de nº 15 cuja patrona é Leocádia Godinho e Siqueira, uma mulher muito à frente de seu tempo, onde na época as mulheres eram devotadas ao fogão, dona Leocádia era devotada à Educação e a Política.
Minha responsabilidade é muito grande, justamente por ter sido agraciada com esta honraria e prometo fazer jus a este título que me confiaram. Muito obrigada e continuo meu agradecimento cantando para todos."

A partir daí, Estevam, cantei duas músicas.

Um forte abraço,
Miúcha

ACADÊMICO CLEBER LIMA - DISCURSO DE POSSE NA AULE

Discurso para posse na Academia Ubaense de Letras
Cléber Lima da Silva (em 29 de maio de 2010)

É com muito orgulho que nesta noite memorável, assumo uma cadeira como membro-efetivo da Casa de Antônio Olinto. Recebo e participo deste ato como um homenageado que cresce - se agiganta - e alcança o simbolismo do gesto fraterno e generoso que partiu da iniciativa deste invejável patrimônio cultural ubaense, chamado Maestro Marum Alexander e teve a anuência unânime dos confrades.
Dizia meu pai: “homenagem não se pede, mas também não se recusa”. E aqui estou Senhoras e Senhores, em incontida alegria e sob juramento (jamais pecarei por perjúrio!), pronto a unir os esforços para dar prosseguimento ao trabalho institucional: essas batalhas sem trégua em benefício da Cultura. Contem, pois, com nossa solidariedade. Serei mais um soldado desta causa.
Por isso que minhas primeiras palavras são de agradecimento. Obrigado pela distinção. Obrigado pela confiança e pela oportunidade que me dão em poder participar ombro a ombro com os lídimos representantes da intelectualidade ubaense, a serviço do desenvolvimento educacional, social, artístico e cultural de Ubá, interagindo com outros municípios.
Esta Casa me é familiar. Ao longo de minha vida convivi com muitos de seus integrantes que honraram e dignificaram esta Academia e deixaram não só a saudade, mas o exemplo de luta, de trabalho e de conquistas para esta terra de São Januário e toda região. Isto porque cultura não tem raias limítrofes e nem é ato isolado ou individual. As pessoas que possuem uma identidade cultural são levadas pela própria natureza a lidarem umas com outras, atraídas que são pelo ideal comum. Essa chama ardente que nos faz irmanarmos em torno de uma causa nobre! Daí, o entrelaçamento, a união, a confraria em mãos dadas. Assim, vivendo intensamente o nosso tempo, estamos edificando obra para a posteridade.
Por isso que esta Casa me é familiar. Tive a felicidade e o privilégio de desfrutar da amizade; de visitar e de receber visitas, de dialogar e de aprender lições – inesquecíveis lições - de vida com exemplos de honradez, coragem e determinação de imortais – acadêmicos e/ou patrono - como a Professora Clotilde Vieira, como Dr. Ari Gonçalves, como Dr. Palmyos da Paixão Carneiro, como Dr. Floriano Peixoto de Melo, como Dr. José Campomizzi Filho e como o radialista Francisco Xavier Pereira.
Já nasci íntimo desses baluartes de nossa História contemporânea, em razão do intercâmbio existente entre as famílias que priorizavam e cultuavam a amizade como sagrado princípio das relações humanas. É um pilar sobre o qual se erguem a Ética e a Moral e se constitui em legado valioso: o maior patrimônio que se deixa para os pósteros. Graças a Deus, sempre soube usufruir desse espólio inesgotável que preservarei para os filhos.
Se por ventura estranhassem essa relação pelo fator cronológico, porque pertencíamos a gerações distintas; se me perguntassem se sou do tempo deles; eu responderia com a mais cristalina certeza que essa plêiade de intelectuais chegou ao final de vida, conservando vigor juvenil. Gente assim, dessa magnitude, pertence a todas as épocas. São senhores do tempo. Eis que ainda vivem em nosso pensamento: estão aqui e agora e se eternizaram pela obra deixada.
Irrequietos, idealistas, inconformados, sempre eles queriam mais e mais e melhor; não para si, claro, mas para a sociedade. Esta cidade era a motivação, a razão de luta e de defesa intransigente, que costumava resultar em incompreensões. E daí? Eram incorrigíveis. E por sorte nossa, fizeram escola! Para identificar seus discípulos não é necessário sair deste recinto, pois estes se encontram no seio da própria Academia. É a mágica da perfeita simbiose do aprendiz, às lições do mestre; assimilada da convivência harmônica e inserida no processo histórico a assegurar a sucessão de valores imateriais. Pode-se denominar isso de a imortalidade da Cultura, de seu cerne, de sua alma. Ai de nós se não fosse assim. Os homens e mulheres desta instituição farão com que o sol continue a brilhar amanhã. Recebemos exemplos e temos que deixar exemplos. É o compromisso de nossa passagem.
Estavam esses nossos referenciais, sempre começando algo, criando, elaborando. Eram procurados e, portanto, podendo ser úteis, participando da comunidade, dando vida a feitos e movimentos. E com isso, não podiam envelhecer. Ao contrário rejuvenesciam a cada projeto que ganhava corpo. Era um desafio perante a História, eis que eles viveram intensamente cada minuto como se não pudessem perder tempo. Os paladinos da cultura precisavam desbravar, de abrir picadas e pavimentar o nosso caminho. A estrada para esta e para as futuras gerações percorrerem com segurança e poder chegar à reta final, como quem está começando, como certos jovens que conheci chamados por D. Clotilde, Dr. Ari, Dr. Palmyos, Dr. Floriano, Dr. Campomizzi Filho e Xavier Pereira, que semearam a esperança e deixaram para nós outros, os frutos de um trabalho profícuo em prol da cultura de nosso povo.
Não, não há, nunca houve e jamais haverá conflito de gerações entre os idealistas. Ora, idade... Quantos nasceram e envelheceram sem nunca terem sido jovens? Quantos velhos, que nunca deixaram de ser eternos moços e moças.
Esta Casa me é familiar, porque era também a Casa de José Lima da Silva, membro-efetivo da Academia Ubaense de Letras, advogado, professor e escritor. Meu pai tomou posse na AULE no mesmo dia que o imortal Rosalvo Braga, recentemente falecido.
(E aqui, abro parênteses como um preito post mortem. Uma justa homenagem. A partir daquele instante da posse, Rosalvo se tornou amigo da família e começou se relacionar com troca de telefonemas, e-mails, correspondências, livros e artigos para o jornal “Voz de Rio Branco”. Também por causa desse intercâmbio cultural com Rosalvo, esta Casa me é familiar. E, por via de consequência passei a desfrutar da amizade com o recém-empossado confrade Dr. Antônio Queiroz, protagonista de “Um certo Antônio”, livro que o amigo comum, Rosalvo, escreveu, retratando sua exemplar trajetória).
Quando caminhava pelo centro de Ubá em companhia de meu pai, ficava admirado de vê-lo parando, todo momento, com velhos colegas de escola ou de futebol. Ele quando em tenra idade morava aqui. Filho de fazendeiro, meu pai nasceu nos limites de Rio Branco, Guiricema e Sapé (Guidoval), vindo ainda criança para estudar o curso primário no Colégio Brasileiro e depois no Ginásio S. José. Meus irmãos e eu crescemos ouvindo falar em Dr. Fecas, em Dr. Jacinto Soares de Souza Lima e na Associação dos Ex-alunos do Ginásio S. José e em tantos outros seus professores e colegas de escola.
Entre tantos casos acontecidos aqui com o jovem José Lima, pelo menos dois, os que ele mais gostava de recordar, peço licença para contar.
O primeiro ocorreu na Revolução de 1930, quando ele que contava com 13,14 anos e ouviu os estrondos de um bombardeio aéreo sobre esta cidade, fazendo com que a população evacuasse a zona urbana, indo procurar refúgio nas fazendas da circunvizinhança. Ele juntamente com uns três ou quatro colegas, percorria as ruas de uma cidade deserta à procura de revolucionários para que pudessem se alistar e também participar da Revolução. Espírito de aventura ou arroubos da pré-adolescência, diria ele mais tarde para os filhos, dando o exemplo dos impulsos próprios da idade. Um professor vendo os meninos perambulando sozinhos, logo após o ataque que se tornaria histórico, e na iminência de ocorrer outro atentado, os removeu da ideia, dando-lhes cobertura e os mandando para a fazenda do pai. A intervenção do mestre serviria para exemplificar a ponderação e a experiência que se adquire com o tempo.
O segundo caso o coloca como um privilegiado, pelo talento com as bolas nos pés, que o levaria ao profissionalismo do futebol belo-horizontino de seu período universitário. Com alegria contava que aos domingos, quando todo meninos internos eram obrigados a permanecer no Ginásio São José, seu professor e durante toda vida amigo fraternal, Dr. Ari Gonçalves, chegava de carro de praça para buscá-lo. Iam direto para o campo do Aymorés, onde o jovem Zé Lima defendia a camisa azul da agremiação que só deixava de torcer quando em confronto com o Nacional, de Rio Branco.
São passagens pitorescas que marcaram uma vida. Na verdade meu pai nunca perdeu o contato com Ubá mesmo morando em Rio Branco, onde, lembro-me, ele assinava os jornais tradicionais de Ubá: a “Folha do Povo”, a “Cidade de Ubá” e “O Kanivete” (O mais procurado). A gente cresceu lendo as notícias daqui e se familiarizando com suas coisas e sua gente. Para se ter ideia, quando quero me referir à Rua Cel. Carlos Brandão eu falo Beco do Padilha, imagina...

Saúdo neste momento os quatro confrades que também tomam posse hoje.
A jornalista Miúcha Trajano, o Dr. Antônio Queiroz e o Professor Chiquinho de Carvalho, representam a atualidade ubaense. Ambos com efetiva participação intelectual nesta comunidade exercem funções destacadas e prestam relevantes serviços. São astros que possuem luz própria e refletem na sociedade o dinamismo de suas ações que muito contribuem para nossa cultura. Honra-me adentrar o pórtico da Casa de Antônio Olinto com tão ilustres e dignas companhias.
Maria Soares Lima da Silva, minha mãe, por indicação do Maestro Marum e aprovação da unanimidade de seus pares foi eleita membro-correspondente. Ela, que me deu procuração para falar em seu nome, orientou-me, traçando as diretrizes do discurso, fazendo questão de se lembrar de fatos e de pessoas do relacionamento familiar no contexto da Academia Ubaense de Letras. Restou-me a obediência filial. A propósito, reiterando meus agradecimentos, ao concluir, invoco um mandamento sagrado: Honrarás pai e mãe.

ACADÊMICO FRANCISCO DE CARVALHO - DISCURSO DE POSSE NA AULE

Dirijo-me respeitosamente a todos aqui presentes, e sinto-me, inicialmente, no dever de agradecer a Academia Ubaense de Letras, pela amistosa, hospitaleira, (familiar até) e costumeira acolhida com a qual sempre fui recebido nesta confraria, desde a sua fundação em 1983.

Hoje, de uma forma muito especial, agradeço a todos pelo convite e pela aprovação do nome do Chiquinho de Carvalho para somar junto ao quadro dos ilustres acadêmicos que mantêm ativa esta instituição e o faço como uma forma de compromisso, porque é com este propósito que mais uma vez estou aqui, ciente de que este é o maior de todos os reconhecimentos e a maior de todas as distinções que um ubaense pode receber; atributos que vou honrar para sempre e que aceito como mais um chamado para prestar serviços a esta nobre causa cultural ubaense, que é a AULE; Não estou aqui por vaidade.

Entendo e interpreto o predicado “ser Acadêmico” como o exercício abnegado e zeloso de um sacerdócio por pura vocação e amor às letras. Concebo e respeito uma Academia de Letras, como o templo sagrado onde devem ser cultuadas as letras, as artes, as ciências, a cultura e todos os outros valores e virtudes que fazem aprimorar e perpetuar as interações sociais humanas no presente, com vistas ao futuro, tendo a história como parâmetro de exemplos tendo a hist presente e do futuroque possam apromorar da culturae manteem E.

Já está bem distante, há alguns milhares de anos, o tempo em que nossos ancestrais fizeram os primeiros sinais nas pedras e nas grutas onde viviam, para expressar o que pensavam e o que sentiam. Ao longo da evolução humana, sinais gráficos foram criados para comunicar o pensamento em inúmeros idiomas. Assim, na evolução natural de todos os povos espalhados pela terra, inventaram as letras e constituíram o alfabeto, formaram as palavras, que redigiram textos, que viraram livros, que escreveram tratados, que criaram leis, que fizeram música e poesia. Dos sinais rupestres das cavernas aos papiros chineses, da prensa de Gutemberg, à internet dos nossos dias, passando pelo rádio, pelo telefone, pelo long play de vinil, pelo videocassete, pelo cd, pelo dvd, pela televisão, pelos satélites, pelos celulares, levam a concluir que estamos em evolução constante.

Os hieroglifos egípcios, Os Dez Mandamentos, A bíblia, Os Ilíadas, Os Lusíadas, As Mil e Uma Noites, Medeia, a Odisséia, a Constituição da Revolução Francesa, O Capital e A Carta Universal dos Direitos Humanos, são algumas publicações notáveis que o pensamento humano produziu, e com elas, alguns nomes alcançaram a imortalidade ao longo dos tempos, pelo que disseram e pelo que escreveram, como Moisés, Jesus, Sócrates, Platão, Plutarco, Cervantes, Karl Marx, Luiz de Camões, Saint Exuperry, Voltaire, Dante, Homero, Pero Vaz de Caminha, Albert Einstein, Confúcio e outros tantos.

No Brasil, alguns nomes também ficaram imortalizados pela literatura que produziram como: Joaquim Nabuco, Machado de Assis, José do Patrocínio, Castro Alves, Rui Barbosa, Raquel de Queiroz, Guimarães Rosa, Monteiro Lobato, Jorge Amado, Vinícius de Morais, Antônio Olinto, e tantos outros,

Também em Ubá as letras sempre se fizeram notar, advindas do pensamento e das mãos de notáveis ubaenses de nascimento ou de adoção, como a poeta Regina Godinho Fernandes. Ela nasceu na Fazenda do Banco Verde, zona rural de São Sebastião do Cachoeiro Alegre, no município de Muriaé. Era irmã da também patrona desta Academia, Professora Leocádia Godinho de Siqueira e tia do Acadêmico Dr. Evandro Godinho de Siqueira. Estudou na Escola Normal de Barbacena e exerceu o magistério em Ubá, onde escreveu vasta obra literária entre contos e poesias. Foi educadora, jornalista e poeta, cujo conjunto literário e serviços prestados à comunidade ubaense, faz com que seja citada e reverenciada em vários livros editados por diversos autores e acadêmicos ubaenses. Por mérito, é patrona da cadeira 16 desta Academia, que tenho o privilégio de ocupar a partir de hoje, cadeira esta que honrarei para sempre, em todos os dias que a vida me conceder.

Não poderia deixar de citar, que foi pelos escritos de memoráveis nomes desta terra, que escreveu-se a história ubaense que hoje conhecemos, da fundação da vila de São Januário dos Ubás, pelo Capitão Mor Antônio Januário Carneiro, à Ubá de 153 anos de emancipação político-administrativa, a completar no dia 3 de Julho próximo. Nesta terra nasceram inúmeros DNA’s ricos, e o nosso DNA certamente também é rico, porque somos herança genética de nossos antepassados. Para confirmar e melhor entender a importância do passado, basta contemplarmos a beleza de história que os ubaenses de outrora construíram; o que nos dá hoje a invejável alcunha de Cidade Carinho! O Professor Ivanof Godinho, que assim nos nominou, tinha total razão ao patentear a nossa marca. Cumpre-nos então honrar para sempre este codinome, legando-o com exemplos, com educação e cultura, à presente e às futuras gerações. Então? Vamos escrever? Sem a pretensão de entrar para a história, vamos escrever o dia a dia do nosso tempo, pois assim, esta Academia estará exercendo a sua função maior de documentar, escrever e registrar a literatura, a cultura, os atos, os nomes e os fatos do nosso tempo!

Finalizando, reverencio-me respeitosamente a todos os confrades acadêmicos que aqui residem e aos que são correspondentes, e da mesma forma, àqueles que hoje integram a nossa Academia Celeste. De uma forma especial, rendo homenagens a todos os Presidentes que à frente desta causa, dedicaram-se como bravos guerreiros para manter ativo e operante, o galhardete que nos representa. São eles:

Professora Maria Clotilde Baptista Vieira

Dr. Floriano Peixoto de Melo

Dr. Iran Ibrahim Jacob

Dr. Manoel José Brandão Teixeira

Maestro e também Dr. Marum Alexander

Muito obrigado.

Francisco de Carvalho
Ubá, 26/05/2010.